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segunda-feira, 23 de julho de 2018


O Brasil foi, em outubro de 2016, o primeiro país a ser condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), uma instituição judicial autônoma da Organização dos Estados Americanos (OEA), por tolerar a escravidão em suas formas modernas. O país foi responsabilizado internacionalmente por não prevenir a prática de trabalho escravo moderno e de tráfico de pessoas.

Mesmo depois disso, o Brasil segue líder na América Latina em número absoluto de pessoas em situação análoga à escravidão. São 369 mil pessoas nessa condição, segundo o relatório Índice Global de Escravidão 2018, publicado pela Fundação Walk Free.

Proporcionalmente, o Brasil tem 1,8 pessoa escravizada para cada 1 mil habitantes. Neste sentido, os países latino-americanos com as maiores taxas de pessoas em situação análoga à escravidão são a Venezuela e o Haiti, ambos com uma taxa de 5,6 vítimas para cada 1 mil habitantes.

No mundo, existem 40,3 milhões de pessoas em situação análoga à escravidão. A Coreia do Norte lidera o ranking junto com a Índia. Na Coreia do Norte, existem 104 pessoas vivendo como escravos modernos para cada 1 mil habitantes.

O relatório mostra que a definição para escravidão moderna abrange um conjunto de conceitos jurídicos específicos, incluindo trabalho forçado, servidão por dívida, casamento forçado, tráfico de seres humanos, escravidão e práticas semelhantes à escravidão.

O relatório mostra que das pessoas que estão em situação de escravidão moderna no mundo 71% são mulheres, enquanto 29% são homens. Dos 40,3 milhões de pessoas afetadas, 15,4 milhões estavam em casamentos forçados, enquanto 24,9 milhões se encontravam em condições de trabalho escravo. A Ásia representa 62% da estimativa global de pessoas em regime de escravidão.

Completam o ranking dos países com maior percentual de escravidão moderna em relação à própria população a Eritreia (93 para mil), o Burundi (40 para mil), a República Central Africana (22 para mil), o Afeganistão (22 para mil), a Mauritânia (21 para mil), o Sudão do Sul (20,5 para mil), o Paquistão (17 para mil), o Camboja (17 para mil) e o Irã (16 para mil).


Fonte: Site do Observatório do Terceiro Setor

Com 46 mortes, o Brasil lidera o ranking de países com maior número de assassinatos de ativistas ambientais em 2017, de acordo com um estudo divulgado nesta sexta-feira (2) pela ONG Global Witness e pelo jornal The Guardian.

Ao longo do ano de 2017, foram mortos 197 ativistas ambientais em todo o mundo, a maioria na América Latina, onde o Brasil lidera as estatísticas, com 46 vítimas, seguido por Colômbia (32) e México (15). Em segundo lugar do ranking global, estão as Filipinas (41).

Segundo o estudo, as áreas de mineração e atividades agrícolas são onde acontecem a maioria dos assassinatos de ambientalistas.

As vítimas são, na maioria das vezes, de comunidades indígenas que se opõem às novas atividades econômicas em suas terras. Já os crimes, constantemente, ficam sem resolução, ou seja, os envolvidos ficam impunes.

Diversos militantes do Peru e da Colômbia morreram em campanhas contra instalação e exploração de minas. No Brasil e no continente asiático, grande número dos ambientalistas eram contrários às novas plantações de soja, café, palmeiras, cana de açúcar e ao desmatamento para abrir caminho para pastagens para gado.


Fonte: Portal Amazônia
Foto: AAP/Mick Tsikas (REUTERS)
Senadora australiana Larissa Waters amamenta seu bebê no Parlamento em Camberra: políticas escolhidas por mulheres contribuem para governos menos corruptos


Em uma análise entre mais de 125 países, incluindo o Brasil, um estudo descobriu que a corrupção é menor onde mais mulheres participam do governo.

Publicado no "Journal of Economic Behavior & Organization" pelos pesquisadores Chandan Jha e Sudipta Sarangi, o estudo revela ainda que a representação das mulheres na política local também é importante. Na política local da Europa, por exemplo, a probabilidade de suborno é menor nas regiões com maior representação de mulheres.

"Esta pesquisa ressalta a importância do empoderamento das mulheres, sua presença em cargos de liderança e sua representação no governo", disse Sarangi, professor de economia e chefe de departamento da Virginia Tech, nos EUA.

"Isso é especialmente importante porque as mulheres continuam sub-representadas na política. Na maioria dos países, incluindo os Estados Unidos ".


No Brasil, a lei em vigor atualmente prevê que pelo menos 30% dos candidatos devem ser do sexo feminino. Em 2016, contudo, as mulheres representaram 86% dos 18,5 mil candidatos que não receberam voto - segundo especialistas, a lei incentivaria "candidaturas laranjas", de candidatas registradas apenas para cumprir a cota.

A pesquisa de Jha e Sarangi é o estudo mais abrangente sobre esse tópico e examina as implicações da presença de mulheres em outras ocupações, incluindo a participação de mulheres na força de trabalho, cargos administrativos e cargos de tomada de decisão, como os CEOs.

O estudo concluiu que é na formulação de novas políticas que as mulheres podem ter um impacto sobre a corrupção.

"Isso pode dever-se ao fato de que mulheres formuladoras de políticas tendem a favorecer políticas que melhoram coisas como a provisão de bens públicos, saúde, educação e bem-estar infantil".


Ou seja, esses resultados não significam necessariamente que as mulheres sejam inerentemente menos corruptas que os homens.

"Nosso estudo sugere que a política é uma área onde a igualdade é importante na medida em que pode ajudar a reduzir a corrupção", explica Sarangi, em entrevista ao G1.


Metodologia

O estudo usa uma técnica estatística, conhecida como análise de variáveis instrumentais, para estabelecer a causalidade na relação entre mulheres e corrupção, já que não se pode afirmar que geneticamente as mulheres são menos ou igualmente corruptas que os homens.

Pode-se acreditar que a relação entre gênero e corrupção tende a desaparecer à medida que as mulheres ganham igualdade no status social. Isto aconteceria porque, conforme o status das mulheres melhora, elas poderiam obter acesso às redes de corrupção e, ao mesmo tempo, aprenderiam a se engajar em atividades corruptas. Mas o estudo indica justamente o contrário.

Quanto maior a igualdade de status dos países em que há mais mulheres no governo, menor é o nível de corrupção.

O estudo sugere que são as políticas formuladas por mulheres que geram impacto na corrupção: "Descobrimos que os países onde as mulheres têm status social semelhante ao dos homens - por exemplo, em países mais desenvolvidos, eles ainda reduzem a corrupção e não a aumentam. Portanto, fazemos essa afirmação. É porque buscam políticas diferentes", diz Sarandi.

"Isso porque, mesmo nesses países, mais mulheres na força de trabalho, ou em cargo administrativo ou gerencial, não reduzem a corrupção. Só tem impacto quando estão presentes no parlamento".


As implicações políticas do estudo apontam para a necessidade de promover a igualdade de gênero em geral e, em especial, promover a presença de mulheres na política . Pesquisas anteriores estabeleceram que uma maior presença de mulheres no governo também está associada a melhores resultados de educação e saúde.

O estudo analisou dados de 150 países, dentre eles o Brasil, e escolheu os países que tinham os dados necessários para o estudo para que não houvesse parcialidade na escolha.


Fonte: Portal G1

Um estudo sobre pais do mesmo sexo concluiu que seus filhos são tão bem psicologicamente ajustados quanto os de casais heterossexuais–ou mesmo melhores. Conduzida por psicólogos da Universidade de Sapienza de Roma e da Universidade do Texas de Austin, a pesquisa envolveu quase 400 casais.

Feito com base em questionários, o estudo consultou 195 pais heterossexuais (que tiveram filhos sob condições naturais), 70 casais de homens, que tiveram filhos com uma mulher (algo como barriga de aluguel), e 125 casais de mulheres, com concepção por doação de esperma.

As perguntas feitas aos pais foram “Quanto vocês avaliam que a sua família é funcional?”, “Quais são os pontos fortes, fracos e características sociais dos seus filhos?” e “Qual é a avaliação que faz se si mesmo enquanto pai?”. Os resultados foram compilados e analisados estatisticamente.

Os pesquisadores destacaram que as crianças com pais gays e mães lésbicas foram reportadas mostrando menor ocorrência de problemas psicológicos do que filhos de pais heterossexuais.

O estudo foi analisado pela comunidade científica e publicado no Journal of Developmental and Behavioral Pediatrics.

Ainda assim, ele tem algumas limitações. Ele não é longitudinal, quando pesquisadores acompanham os participantes de uma pesquisa ao longo dos anos, e é baseado em questionário, o que deixa a conclusão sujeita ao que se chama de viés.

No contexto científico, o novo estudo faz sentido e se encaixa em uma série de outros levantamentos e pesquisas feitas em diferentes regiões do planeta.

Em 2010, por exemplo, uma análise de 33 estudos sobre o bem-estar de crianças criadas por pais homossexuais concluiu que não há evidências, em termos sociais, educacionais, comportamentais e emocionais, que elas sejam piores do que os filhos de casais heterossexuais.


Fonte: Revista Exame
Baixa imunização nesta década tem sido atribuída a movimentos contrários a vacinas

No século 20, o mundo viveu uma epidemia de varíola que, entre as décadas de 1900 e 1970, deixou cerca de 500 milhões de mortos. Nos anos 1960, países de todo o mundo se uniram em campanhas de vacinação, fazendo com que a doença infecciosa, sem cura, se tornasse a única enfermidade a ser totalmente erradicada. O último caso notificado no Brasil foi em 1971, e no mundo, em 1977, na Somália.

Ao longo do século passado, as vacinas foram decisivas para que doenças infecciosas fatais fossem controladas. Contudo, em 2015, a Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu um alerta global, informando que uma em cada cinco crianças no mundo não recebe as vacinas básicas.

Com a baixa imunização das populações na última década, doenças que já estavam controladas na maior parte do mundo estão voltando a circular com grande intensidade. É o caso do sarampo, responsável por surtos na América e na Europa; as hepatites, que já matam mais que o HIV; e a poliomielite.

No Brasil, pelo menos 312 cidades estão sob alerta de volta do vírus causador da poliomielite, também conhecida como paralisia infantil, e entre 1º de janeiro e 23 de maio deste ano, foram registrados 995 casos de sarampo no país.

A baixa imunização nesta década tem sido atribuída a movimentos de contestação a vacinas, que argumentam contra a quantidade de vacinas que devem ser tomadas ao longo da vida, duvidam de sua segurança ou disseminam teorias da conspiração que ligam vacinas a casos de autismo ou morte.

No Brasil, o Ministério da Saúde também alerta para o esquecimento dos brasileiros sobre determinadas doenças que não ocorriam mais no território, fazendo com que essas pessoas não vejam mais a necessidade de se vacinarem e vacinarem seus filhos.

Segundo a OMS, as vacinas representam o tratamento com melhor custo-benefício em saúde pública, pois evitam 2,5 milhões de mortes por ano e reduzem os custos dos tratamentos específicos de doenças evitáveis.

Veja como é a vacinação mundo afora:


Vacinas recomendadas globalmente

Entre as vacinas recomendadas mundialmente estão: a tríplice viral, contra os vírus do sarampo, rubéola e caxumba; vacinas contra a difteria, tétano, hepatite B e coqueluche; e a vacinação anual contra a Influenza, vírus causador da gripe.

Cada país tem seu calendário de vacinação nacional, que segue as recomendações globais e regionais da OMS e pode mudar de tempos em tempos, de acordo com eventos locais.

Em alguns países da Europa, o calendário de vacinação é mais flexível e contempla menos vacinas em relação à América. No Brasil, o esquema é mais rigoroso, com vacinas obrigatórias que costumam ser dadas logo nos primeiros anos de vida.


Brasil

O Plano Nacional de Imunizações, do Ministério da Saúde, atualmente oferece de graça 27 vacinas a toda a população, de todas as faixas etárias. Essas vacinas combatem sarampo, caxumba, rubéola, tétano, tuberculose, febre amarela, difteria, coqueluche, poliomielite, influenza e HPV.

Cada brasileiro tem sua própria Caderneta de Vacinação. É de responsabilidade dos pais manter o documento atualizado durante a infância, período em que se concentra a maioria das vacinas obrigatórias no Brasil.

Além disso, uma vez por ano, no outono, assim como em outros países do mundo, acontece a campanha nacional de vacinação contra a Influenza. Diferentemente das outras vacinas – que têm dose única ou uma dose de reforço – a vacina contra a gripe tem duração de 12 meses e, por isso, deve ser tomada todos os anos. Outra diferença é que ela é oferecida de graça por poucos meses e somente para grupos de risco: crianças de seis meses a 5 anos; adultos a partir dos 60 anos; pacientes com doenças crônicas pulmonares, cardíacas ou metabólicas e com alterações de imunidade; gestantes; indígenas; privados de liberdade; profissionais de saúde; e professores da rede pública.


Américas

Há algumas diferenças entre os esquemas de vacinação dos países da América Latina e dos da América do Norte, mas, no geral, os vírus combatidos pelas vacinais são os mesmos. A variação geralmente diz respeito a quando a vacina será tomada: no Brasil, por exemplo, o bebê já recebe as primeiras vacinas na maternidade; enquanto no Canadá e nos Estados Unidos, as vacinas começam a ser dadas somente a partir dos dois meses de vida.

A atenção especial, assim, fica por conta da vacina contra a febre amarela, que é exigida para se entrar em vários países da América do Sul, como Brasil e Bolívia, e América Central, como Panamá, mas não é obrigatória nos EUA e no Canadá. E atenção: é necessário ter tomado a vacina pelo menos dez dias antes da viagem.

Além disso, as vacinas de febre amarela que foram tomadas há mais de dez anos podem ser desconsideradas em alguns países, sendo obrigatório, somente nesses casos, tomar uma segunda dose. No caso do Brasil, é preciso se informar se a dose recebida (a informação está anotada na carteira de vacinação) foi a padrão ou a fracionada. Se tiver sido a padrão, significa que a pessoa está imunizada para o resto da vida, sem necessidade de reforço.

Outra diferença diz respeito à vacina contra HPV, que previne o vírus sexualmente transmissível do papiloma humano: ela faz parte dos calendários dos países da América Latina, mas não é obrigatória nos países do Norte. Além disso, a BCG, obrigatória no Brasil, não é ministrada no Canadá.


África e Ásia

A febre amarela é uma das principais preocupações das autoridades de saúde em toda a África, no subcontinente indiano e no Sudeste Asiático. Já a malária preocupa, principalmente, na África Subsaariana e no Sudeste Asiático.

A vacina contra a febre amarela é obrigatória em todos os países desses continentes. No caso da malária, não existem vacinas, sendo o uso de repelentes específicos e de telas em portas e janelas as únicas medidas de proteção contra o mosquito que transmite a doença.

Europa

O continente europeu vive um surto de sarampo em pelo menos 19 países, sendo Grécia, Romênia, França e Itália os países mais afetados. O Parlamento Europeu aponta os movimentos antivacinas – impulsionados principalmente por pais que decidem não vacinar os filhos – como responsáveis pelo surto do vírus.

Em alguns países da Europa Ocidental, como a Alemanha, a BCG – vacina muito comum em bebês no Brasil e que previne a tuberculose – não é mais aplicada. Na União Europeia, a BCG é universal apenas em Portugal, Grécia e Irlanda.

As vacinas do Programa Nacional de Vacinação não costumam ser obrigatórias na Europa. Contudo, diante do surto de sarampo, leis aprovadas na França, Alemanha e Itália obrigam pais a vacinarem suas crianças contra o vírus especificamente.

No caso alemão e italiano, também foram estipuladas multas de 600 a 3.000 dólares para quem não cumprir a lei. Na Itália, poliomielite, tosse convulsa e hepatite B também passaram a ser obrigatórias para as crianças.


Fonte: Jornal Deutsch Welle