quarta-feira, 18 de abril de 2018
Reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Norte
O Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte abriu inscrições para a disciplina “Seminário Temático II: o golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil”, no primeiro semestre de 2018. A criação do curso ocorreu pouco tempo após a manifestação do Ministério da Educação (MEC) contra uma disciplina similar criada pela Universidade Nacional de Brasília (UNB).
A ementa, que ainda foi elaborada pelos professores responsáveis pelo curso, discutiu o histórico de golpes políticos no país, mas focou no impeachment de Dilma Rousseff (PT) em 2016, informou o professor Alex Galeno - um dos quatro docentes responsáveis pela disciplina.
De acordo com ele, a disciplina foi criada pelo colegiado da pós-graduação de Ciência Sociais neste ano, depois da iniciativa do professor Luiz Felipe Miguel, da UNB - primeira instituição no país a criar um curso deste tipo. Desde então, várias universidades também criaram cadeiras para debater o tema. É o caso da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), da Federal do Rio Grande do Sul e da Unicamp, em Campinas (SP).
Além dos discentes da universidade, a disciplina também esteve aberta como programa de extensão, o que permitiu inscrição de pessoas que não têm vínculo com a instituição e estiveram interessadas no assunto. As aulas foram ministradas para os dois públicos simultaneamente.
A matéria teve 60 horas-aula e foram realizados 15 encontros, começando no dia 13 de março. Foram quatro aulas à tarde, às sextas-feiras no setor de aulas II da UFRN. Entre os professores convidados, está o próprio Luiz Felipe Miguel.
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"Trataremos esse assunto com toda a dimensão histórica dos golpes no país, na América Latina e no mundo, mas o fato de 2016 é o mais próximo, sobre o qual iremos refletir", explicou o professor Alex Galeno. Para ele, estudar o "fenômeno" é fundamental para os pesquisadores da teoria social e não se trata de discussão político-partidária.
O professor ainda criticou o posicionamento do ministro Mendonça Filho, da Educação, que afirmou que iria acionar a Advocacia-Geral da União (AGU), o Tribunal de Contas da União (TCU), a Controladoria-Geral da União (CGU) e o Ministério Público Federal (MPF) para que fosse apurada “improbidade administrativa” por parte dos criadores da disciplina na UNB.
"Temos autonomia de cátedra. Esse movimento vem se fortalecendo no Brasil, para fortalecer o pensamento livre. O golpe teve um componente legal, que envolveu o Judiciário; o ódio dissimulado, demonstrado, por exemplo, nas 'fake news'; e a criação de medidas normativas, que querem dizer o que o professor tem que fazer", considerou o docente, que comparou tais pressões às câmaras de gás nazistas, "sem corpos, mas com objetivo de sufocar".
Ele ainda argumentou que qualquer pessoa pode entender que o impeachment não foi golpe e criar um curso do mesmo tipo.
Os demais professores responsáveis pela disciplina na UFRN são Homero Costa, Orivaldo Lopes Jr. e Gabriel Vitullo.
Fonte: Portal G1
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